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Auxílio-acidente negado porque a lesão é pequena? Isso pode estar errado

Você sofreu um acidente ou desenvolveu um problema por causa do trabalho, ficou com uma sequela e voltou a trabalhar, mas nunca mais foi o mesmo. Aí pediu o auxílio-acidente no INSS e ouviu que a sua lesão é “leve demais”, que a redução é “mínima”, que não dá direito a nada. Ficou com aquela sensação de injustiça, porque você sente na pele que perdeu capacidade.

Se foi isso que aconteceu com você, lê este texto até o fim, porque essa negativa do INSS muitas vezes está errada.

O auxílio-acidente é uma indenização mensal paga pelo INSS a quem ficou com uma sequela permanente que reduz a capacidade de trabalho. E aqui vai o ponto principal: não importa se a redução é grande ou pequena. A Justiça já pacificou que o benefício é devido mesmo quando a perda de capacidade é mínima, desde que a sequela seja permanente e realmente atrapalhe o trabalho que você fazia. O tamanho da lesão não é desculpa para não pagar.

Afinal, o que é o auxílio-acidente?

Muita gente confunde, então vale explicar em palavras simples. O auxílio-doença é aquele benefício temporário, pago enquanto você está sem poder trabalhar. Já o auxílio-acidente é diferente: ele é uma indenização que você recebe depois que a lesão estabilizou, mesmo continuando a trabalhar. É como se o INSS reconhecesse: você voltou, mas com uma limitação que ficou para sempre.

Por isso ele não te impede de trabalhar. Você pode receber o auxílio-acidente e continuar no emprego normalmente. Ele soma na sua renda, não substitui.

Perdi audição por causa do barulho no trabalho. Tenho direito?

Esse é um caso muito comum e cheio de negativas indevidas. Quem trabalha anos em ambiente barulhento, indústria, construção, e vai perdendo audição, costuma ter direito ao auxílio-acidente.

O INSS às vezes nega dizendo que a perda de audição está “abaixo da tabela”, abaixo de um grau mínimo que eles usam. Só que a Justiça já disse que isso não pode. Existe até uma súmula do STJ afirmando que o grau mínimo definido em tabela não exclui, sozinho, o direito ao benefício. Ou seja, se a perda de audição tem ligação com o trabalho e atrapalha a sua atividade, você pode ter direito, mesmo que a tabela do INSS diga que é pouco.

Quem tem direito e quem não tem

Têm direito ao auxílio-acidente o empregado com carteira assinada, inclusive o doméstico, o trabalhador avulso e o segurado especial, que é o trabalhador rural. E tem um detalhe bom: não existe carência. Ou seja, se você se acidentou logo no primeiro dia de trabalho e ficou com sequela, já pode ter direito, sem precisar de tempo mínimo de contribuição.

Por outro lado, o autônomo, que é o contribuinte individual, e o contribuinte facultativo, como a dona de casa e o estudante, não têm direito ao auxílio-acidente pela regra atual.

Fui readaptado em outra função. Perco o benefício?

Não, e essa é outra dúvida que aparece muito. Depois do acidente, muita gente passa pela reabilitação do INSS e volta ao mercado numa função diferente, compatível com a limitação. Isso não tira o seu direito. O benefício existe justamente porque você perdeu capacidade para a atividade que fazia antes. A reabilitação só te ajudou a se recolocar, mas a sequela continua lá, e continua indenizável.

E se eu me aposentar?

Aqui a regra mudou ao longo do tempo, então preste atenção. Hoje, em geral, não dá para acumular o auxílio-acidente com a aposentadoria. Quando você se aposenta, o auxílio-acidente cessa. Mas ele não some no vazio: o valor que você recebia entra no cálculo da sua aposentadoria, ajudando a aumentar a renda mensal dela.

O que você perde se aceitar a negativa calado

Cada mês sem o benefício é dinheiro que devia estar com você. E tem outro ponto importante que quase ninguém sabe: se você já recebeu auxílio-doença por causa daquela lesão, a data em que o auxílio-acidente deveria começar costuma ser logo depois que o auxílio-doença acabou. Isso significa que pode haver valores atrasados acumulados, às vezes de bastante tempo. Deixar pra lá é abrir mão desse dinheiro.

E existe um detalhe técnico que faz toda a diferença: a discussão sobre o quanto a sua capacidade foi reduzida precisa ser bem feita logo no começo do processo, com toda a prova médica. Depois de certa fase, fica muito mais difícil rediscutir isso. Por isso não vale improvisar.

A boa notícia é que negativa do INSS não é a palavra final. Muita gente que teve o benefício negado conseguiu revertê-lo. Se você sofreu um acidente ou desenvolveu uma doença ligada ao trabalho, ficou com sequela e teve o auxílio-acidente negado, procure um advogado de sua confiança para analisar o seu caso. Cada situação tem os seus detalhes, e é olhando a sua história e os seus exames que dá para saber o melhor caminho.

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