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PERÍCIA DO INSS – COMO SE PREPARAR?

Chegou a data. Você acordou cedo, pegou fila, entrou numa sala com um médico que nunca te viu na vida e tem poucos minutos para decidir se você recebe ou não o seu benefício. É assim que funciona a perícia do INSS, e é por isso que ela assusta tanta gente. Só que dá para chegar nesse dia com muito mais chance a seu favor. O segredo não está na sorte. Está na preparação.

Vou direto ao ponto. A perícia é ganha ou perdida pelos documentos que você leva. O perito não conhece a sua história, não acompanhou o seu tratamento e não vai adivinhar a sua dor. Ele decide com o que enxerga na sua frente. Se você chega de mãos vazias ou com um atestado genérico, o resultado costuma ser negativo, mesmo quando a doença é real.

 

O que o perito do INSS realmente avalia?

Muita gente acha que a perícia é sobre estar doente. Não é bem isso. O perito avalia três coisas: se existe a doença, qual é a sua natureza e, principalmente, se ela te impede de trabalhar. Esse último ponto é o que mais pesa.

Você pode ter um diagnóstico sério e ainda assim ver o benefício negado, se o laudo não deixar claro que a sua condição impede você de exercer a sua função. Um office boy com problema no joelho e um pedreiro com o mesmo problema estão em situações diferentes aos olhos da perícia. O que importa não é só a doença. É a doença somada ao que o seu trabalho exige do seu corpo.

 

Quais documentos levar para a perícia?

Essa é a parte que decide o jogo. Leve tudo, organizado e recente. A lista mínima é esta.

Um laudo do seu médico, o mais detalhado possível. Não serve o atestado de dez dias. Precisa constar o diagnóstico, o CID, desde quando você está doente, qual o tratamento e, com todas as letras, que você está incapaz de trabalhar e por quanto tempo.

Exames que comprovem o que o laudo afirma. Ressonância, raio-x, exames de sangue, o que existir. Documento que mostra é mais forte que documento que só diz.

Receitas e caixas de remédio, que provam que você está de fato em tratamento contínuo.

O histórico completo, com relatórios de internação, cirurgias, encaminhamentos. Quanto mais a sua trajetória de tratamento aparece no papel, mais difícil fica negar.

 

E se a perícia for só por análise de documento?

Em parte dos casos, o INSS pode decidir sem chamar você para o exame presencial, avaliando apenas os documentos que você enviou pelo Meu INSS. Isso parece mais cômodo, mas aumenta o peso de cada papel.

Se você não é examinado, o laudo que você anexou é a sua única voz na história. Um documento fraco ali significa uma negativa quase certa. Por isso, mesmo nesse formato, capriche na qualidade do que envia.

 

Uma cena que se repete todo dia

Pense na dona Cleide, 58 anos, costureira, com uma tendinite que já não deixa ela segurar a tesoura. Ela foi à perícia com um atestado curto, escrito à mão, dizendo só “afastar por 15 dias”. O perito olhou, não viu exame, não viu histórico, e negou. Cleide saiu de lá achando que o INSS não acreditou na dor dela.

O problema não foi a dor. Foi a folha de papel. Quando ela voltou com o laudo do ortopedista, o exame de imagem e o relatório de fisioterapia, a mesma tendinite passou a contar uma história completa. A doença era a mesma o tempo todo. Só que da segunda vez ela estava documentada.

 

O que está em jogo se você não se preparar

Uma perícia mal preparada não custa só o dia perdido na fila. Custa meses de benefício, porque uma negativa te joga para o recurso ou para a Justiça, e isso leva tempo. Tempo que você passa doente, sem receber, com as contas chegando na mesma data de sempre.

Chegar preparado é o jeito mais barato de resolver. É a diferença entre sair de lá com o benefício aprovado e recomeçar tudo do zero.

 

Você pode chegar mais seguro nesse dia

A perícia intimida porque parece uma loteria, mas ela responde bem a quem se organiza. Reunir os documentos certos, no formato certo, muda o resultado com mais frequência do que as pessoas imaginam.

Se você tem uma perícia marcada e ficou em dúvida sobre o que levar ou se os seus documentos são suficientes, vale conversar com um advogado de sua confiança antes da data.

Uma orientação prévia ajuda a identificar o que está faltando e a chegar na perícia com o caso o mais forte possível. Preparação não garante resultado, mas dá a você a melhor chance dentro das suas mãos.

 

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